sábado, 2 de maio de 2015

Lucas, Carlos e Elaine

De: Lucas
Para: Carlos

            - Alô?
            - Oi.
            - Carlos? É o Lucas. Tudo bom?
            - Suave Lucas. E aí?
            - Tudo bem. Tá ocupado?
            - Não, por que?
            - Queria te fazer uma pergunta, mas se possível não deixa a Elaine saber.
            - Que foi?
            - Como ela tá? Tá melhor?
            - Ela tá bem, estaria melhor do que?
            - Do assalto, ué.
            - Que assalto?
            - Tá sabendo não?
            - Sabendo do que?
            - Do assalto.
            - Mas que assalto? De quem?
            - A Elaine foi assaltada! Não ta sabendo, não?
            - Não estava, né? Quando foi isso?
            - Não sei, ainda não conversei com ela. To com medo de perguntar algo e fazer ela chorar, sei lá.
            - Como eu não to sabendo disso?
            - Cara, ta tudo bem entre vocês?
            - Bem… Numa boa… Mas não sei porque ela não falou.
            - Não queria te preocupar, talvez. Foi mal ter contado.
            - Na boa, Lucas, deixa eu ir lá, tenho que resolver umas coisas aqui.
            - Certo, então, valeu!
            - Tchau.
De: Carlos
Para: Elaine

            - Elaine?
            - Achei que tinha mandado você enfiar o telefone goela a baixo na tua mãe antes de me ligar de novo!
            - Vai continuar falando da minha mãe?
            - Vai ligar de novo?
            - Eu to ligando agora e a coisa é séria…
            - Também era séria quando você ligou quarta e disse que eu precisava tomar vergonha na cara
            - Ué, e precisa!
         - E você vai precisar é de um médico com uma câmera num tubo pra encher o seu celular depois que a vaca da tua mãe engolir ele junto com os tarja-preta e o meio quilo de capim que ela come por dia!
            - ELAINE?! ELAINE?!

De: Lucas
Para: Elaine

            - Alô?
            - Luquinhas? Oi, meu fofo! Pode falar.
            - O Carlos ta sabendo da história?
            - Ai, Lu… eu to meio estranha com o Carlos… Desculpa não falar nada, mas não queria te meter nessa história. E falando em história, que história?
            - Tua.
            - Eu falei que não queria te meter nisso…
            - Mas eu já to metido nisso, afinal, to preocupado contigo.
            - Acontece com todo mundo, é normal.
            - Não devia, sabe por que? As pessoas se acostumam, deixam como ta e esse povo sai impune com isso! Dá raiva!
            - Mas homem é assim mesmo! Sem ofensas…
            - Realmente, é raro ver mulher nessa situação…
            - Pois é, mas felizmente… ou, quem sabe, infelizmente… não é a minha praia. Prefiro homem.
            - Hein? Que diferença faz?
            - Pra você, não sei, mas eu prefiro homem…
            - Elaine, foi um homem mesmo.
            - Até a última vez que vi, ela era homem. Tudo bem que a mãe dele come capim e faz “MU”, mas isso é outra história.
            - Que história é essa?
            - Ai, ela é um saco! Vou te contar, vaca com v de vagabunda e caligrafia de ordinária!
            - De quem que você tá falando, Elaine?
            - Da mãe do Carlos, quem mais?
            - Elaine, que história toda é essa?
            - Ah, eu discuti com o Carlos, acontece.
            - Você ta falando do Carlos?
            - To, e você? Ta falando de quem?
            - De você! Do assalto!
            - Que assalto?
            - Como que assalto? Sabe: arma? Levar seus pertences?
            - Quando eu fui assaltada?
            - Quando eu liguei pra Leninha, eu ouvi você falando alto, chorando, soluçando isso…
            - HAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHA!
            - Elaine…?
            - Ai, Luquinhas… Eu não fui assaltada. Não, literalmente.
            - Então?
            - Eu quebrei O SAL-TO!
            - Mas eu ouvi você falando de roubo, soluçando e tudo…
            - Foi rombo! Eu quebrei o salto passando por uma calçada em obra! Aí, despenquei no chão e machuquei a perna! Foi feio, sangrou e tudo!
            - Meu Deus, você tá bem?!
            - To melhor, a dor passou, mas ainda to com um curativo gigante na perna, relaxa.
            - Nossa, deixa eu ligar pro Carlos, e consertar a história!
            - Deixa, eu ligo pra ele. Mas vem cá: Por que você não falou com a Leninha primeiro?
            - Ah, a gente ta meio estranho um com o outro… A gente tava discutindo a hora que eu você chegou chorando…
            - Conserta as coisas com ela, então. Beijinho!
            - Melhoras, tchau!



De: Elaine
Para: Carlos

            - Oi…
         - Ué? Ta me ligando? Achei que, pra você, o celular estaria sendo digerido pela minha mãe agora!
         - Antes de eu mandar, mais uma vez, ela engolir o celular e você se enforcar com o fio do carregador, faz o favor de passar aqui?
            - Hum…
            - “Hum” o que? Quer me esquentar de novo?
            - Nada, só queria saber o por que da mudança.
           - Primeiro: to com a perna ferrada, não to conseguindo andar direito. Segundo: O Luquinhas  passou a mensagem errada. Eu não sofri um assalto, eu quebrei O salto. Terceiro: Eu gostei que você engoliu o orgulho e ligou pra saber se eu tava bem.
            - Eu to indo pra casa da minha mãe…
            - Tudo bem, se ela couber no elevador, pode trazer junto.
            - Você abusa da sorte, sabia?
            - E a sua mãe abusa dos carboidratos. Não demora.
            - Ta bom, tchau.

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